Danças de Entrudo - 1999

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As Danças e Bailinhos de Carnaval tem um orçamento que ronda cerda de 25.000 contos, de acordo com um levantamento efectuado junto da maioria dos grupos que participão nesta manifestação carnavalesca popular.

Foram encontradas 50 Danças e Bailinhos de Carnaval, além de algumas comédias, o que permite afirmar que vão exibir-se nos palcos cerca de 1.050 participantes no Carnaval Tradicional da ilha Terceira, composto por cerca de 700 dançarinos, 100 personagens e de 250 músicos, porque outros 300 músicos participam activamente como dançarinos. O transporte de tão grande número de pessoas engloba uma movimentação média de 7 carros particulares por grupo, prevendo-se uma movimentação de cerca 350 carros particulares, 20 carrinhas e 5 autocarros, por cada dia do Carnaval, muitas destes grupos iniciam as suas actuações no sábado, pelo que serão praticamente 4 dias de movimentação.

O número de Danças de Dia são 10, incluindo uma que veio do Canadá para actuar no Carnaval da ilha Terceira. Cerca de 80% são Bailinhos e Danças da Noite ou de Pandeiro, que tem uma duração aproximada de 30 minutos. Os grupos espontâneos de populares iniciaram a organização das Danças e Bailinhos já em finais de 98, cerca de 40%, enquanto, que os outros 60% iniciaram a organização dos seus grupos durante o ano de 1999. Os locais preferidos de ensaio, até porque as condições de palco são melhores, foram as Sociedades Recreativas e Culturais da ilha, que foram utilizadas em cerca de 50% dos casos,, enquanto que, 40% preferio ensaiar em garagens ou oficinas, e apenas 10% ensaiou em Casas do Povo e outros locais.

Além dos participantes activos existiram também cerca de uma dúzia de pessoas que escreveram os assuntos, destacando-se o João Leonel, improvisador local, com maior número nas Danças de Dia e o Hélio Costa, nos Bailinhos e Danças da Noite ou de pandeiro. Também, será de realçar a ligação à comunidade terceirense emigrada, não só com a visita da Dança do Canadá este ano, mas, também pelas várias Danças de Dia escritas pelo improvisador José Fernandes.

Geralmente, quem trabalha nos bastidores não é lembrado, razão pela qual, gostariam de mencionar os mais de 20 "ensaiadores", para além, de alguns grupos que ensaiam o seu próprio "assunto". A participação de cerca de 200 costureira que confeccionaram os trajes para os diversos participantes nas Danças e Bailinhos de Carnaval, demonstram do envolvimento de diversos sectores da ilha Terceira. O papel da mulher terceirense no Carnaval da ilha Terceira tem aumentado nos últimos dez anos, este ano não é excepção, pelo que a sua participação nos mais diversos grupos atinge cerca de 30 %, do total de dançarinos, e em muitos casos já "puxam" a Dança em exclusividade, é ver-se mais de 14 "mestras" que conseguimos identificar e outras possívelmente vão aparecer. Igualmente, surgem em destaque nos sectores de interpretação musical e teatral.

O grande número de músicos merece realce, pelo que cada grupo tem uma média de 4 instrumentos, o que perfaz uma quantia aproximada de 6 instrumentos de corda, 5 instrumentos de sopro e 2, entre acordeões e outros instrumentos. o que perfaz uma quantia próxima de 650 músicos a animarem o Carnaval Tradicional da Ilha Terceira.

As escolas este ano, também, organizaram as suas Danças e Bailinhos, nomeadamente, as Escolas da Praia da Vitória, Serreta, Porto Judeu e Terra Chã permitindo que as novas gerações compreendam as tradições dos seus pais. Para os Estados Unidos e Canada partiram dois grupos da ilha Terceira, que assim, participam na animação dos nossos conterraneos em terras da América do Norte, permitindo uma interligação cultural e social entre as duas comunidades açoreanas. Devido à crise vulcânica desencadeada pelo erupção na zona marítima próxima da Serreta, foi entrevistado o Director Regional dos Assuntos Culturais, Dr. Luis Fagundes Duarte, que em declarações à RHA, afirmou que as Direcções das Sociedades Recreativas e Culturais da ilha Terceira deveriam acautelar a segurança e saídas de emergência porque, afirmou aquele responsável, porque estamos a viver num momento de alguma actividade vulcânica, não prevísivel pelo que alguns cuidados deveriam ser tomados.

Angra, 17 de Fevereiro de 1999
Pires Borges

 

 

Cinzas do Carnaval 1999

Cerca de 60.000 pessoas assistiram a mais de 1.000 espectáculos na ilha Terceira durante o Carnaval 1999, num total de cerca 30 horas diárias de possíveis espectáculos, considerando, 40 Bailinhos e Danças da Noite ou Pandeiro com uma duração média de 30 minutos e 10 Danças de Dia com a duração média de 1 hora, que se exibiram em cerca de 35 palcos de Sociedades Recreativas e outras instituições, com uma participação de mais de mil participantes.


Em confecção e tecidos o comércio local movimentou vendas num valor
aproximado de 19.000 contos, com uma base média por grupo de 380.000$00. Os custos dos "Assuntos ou Enredos" situaram-se na ordem dos 40.000$00, perfazendo uma quantia próxima dos 2.000 contos, escritos na sua maioria por poetas populares quer residentes nos Açores ou nas comunidades imigrantes Açorianas residentes na América do Norte. Em transporte, combustível e aluguer, foram gastos, cerca de 4.500 contos, para o transporte de aproximadamente 50 grupos que em caravana circularam na ilha Terceira e, que investiram em média 90.000$00 durante os quatro dias de Carnaval.

Durante a "Festa da Fraternidade", o Entrudo da ilha Terceira, como a designou o Dr. José Orlando Bretão, surgiram algumas alterações e transformações, que poderão ou não continuar, porque como fenómeno fenómeno cultura oral popular espontâneo é mutável, no entanto, aqui ficam as algumas transformações detectadas:

1º - Quatro dias de Carnaval

- desde há alguns anos, que os participantes nas Danças, Bailinhos e Comédias de Carnaval da ilha Terceira, falavam da necessidade da exibição dos diferentes grupos iniciar-se na véspera do Domingo Gordo, porque assim, permitia uma melhore circulação das Danças Bailinhos e Comédias. Assim, aconteceu no presente ano, mais de 90% das Sociedade e outros locais foram visitados durante o sábado, com exibições que se prolongaram pela noite dentro, contrariamente ao que era habitual.

2º Música original.

As músicas originais, que geralmente, estavam associadas às Danças de Dia, passaram a integrar também, os Bailinhos e Danças da Noite, que geralmente utilizavam apenas arranjos de músicas.

3º Falta de informação reduz o número de actuações.

As Danças, Bailinhos e Comédias não percorreram um número recorde de actuações no presente ano porque a circulação foi dificultada por falta de informação e ao grande número de Danças de Dia, com uma média de 60 minutos de duração.

O relancear dos olhos sobre os pontos acima mencionados, exemplificam a estrondosa adesão do povo da ilha, e a forma como se organiza e custeia os seus próprios festejos, considerando que a Direcção Regional dos Assuntos Culturais apoia usualmente, as Danças e Bailinhos com uma verba na ordem dos 5.000Contos, o que significa um quinto da quantia global, pelo que os participantes no Carnaval Tradicional suportam os outros cerca de 20.000 contos, anualmente, que oferecem generosamente ao povo da ilha Terceira, por isso o nosso apoio incondicional. Felizmente, que no ano de 1999 não existiu qualquer júri de qualificação porque na realidade seria muito difícil escolher ou eleger os melhores, porque se apresentaram muitos grupos de Carnaval com qualidade para disputarem os lugares cimeiros, quer a nível das Danças de Dia ou Espada, quer a nível das Danças da Noite ou Pandeiro ou ainda dos Bailinhos...

Angra, 19 de Fevereiro de 1999
Autor: Pires Borges